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Supergirl: o primeiro grande teste do novo DCU chega em junho de 2026

  • Foto do escritor: João Martins
    João Martins
  • 28 de abr.
  • 5 min de leitura


Data de estreia: 26 de junho de 2026

Diretor: Craig Gillespie

Roteiro: Ana Nogueira

Elenco pri

cipal: Milly Alcock, Matthias Schoenaerts, Eve Ridley, Jason Momoa, David Corenswet

Baseado em: Supergirl: Woman of Tomorrow (2021–22), de Tom King e Bilquis Evely


Quando James Gunn e Peter Safran assumiram o comando da DC Studios em outubro de 2022, prometeram reconstruir o universo DC do zero — com um plano editorial de oito a dez anos, coerência narrativa e qualidade acima da quantidade. O primeiro grande tijolo dessa nova fundação foi Superman (2025). O segundo é Supergirl, previsto para estrear em 26 de junho de 2026, e ele tem o peso de provar que o novo DCU não foi um acerto de uma vez só.

Mas para entender por que esse filme importa tanto, é preciso voltar à origem: a HQ que deu nome ao projeto e redefiniu quem é Kara Zor-El.


A HQ que mudou tudo: Woman of Tomorrow

Em 2021, o escritor Tom King e a artista Bilquis Evely lançaram uma minissérie de oito edições pela DC Comics que sacudiu o que os fãs achavam que sabiam sobre a Supergirl. Sem a luz solar amarela do Sol, sem poderes, bebendo num bar de segunda categoria num planeta desconhecido — essa é a Kara que King apresenta logo na primeira página.

A premissa é aparentemente simples: uma menina chamada Ruthye Marye Knoll busca vingança pela morte do pai e recruta Supergirl para guiá-la nessa jornada pelo espaço. O que se segue é um road trip interplanetário brutal, narrado pela perspectiva de Ruthye, que não economiza na crítica a Kara — uma protagonista que oscila entre heroísmo genuíno e falhas humanas muito reais.

O grande diferencial da HQ é que ela trata Kara como alguém marcado pelo trauma de verdade. Enquanto Kal-El chegou à Terra como bebê e cresceu sem memórias de Krypton, Kara era adolescente quando viu o planeta ser destruído. Ela perdeu amigos, família, cultura, língua. Ela lembra de tudo. Isso cria uma versão do personagem muito mais complexa do que o arquétipo da prima otimista do Superman que o público conhece das adaptações anteriores.

A arte de Bilquis Evely — colorida por Matheus Lopes — é frequentemente citada como um dos trabalhos visuais mais deslumbrantes dos quadrinhos recentes. Cada página parece uma pintura. Cada planeta visitado tem uma identidade visual própria. É, em muitos aspectos, uma HQ que faz o leitor se perguntar como algo assim poderia ser adaptado para o cinema sem perder a alma.


Do papel para a tela: o que muda e o que permanece

Quando Gunn anunciou a adaptação em janeiro de 2023, o efeito foi imediato: os volumes da HQ esgotaram na Amazon e em várias livrarias especializadas em poucas horas. A sinalização era clara — o novo DCU queria trazer a melhor versão possível de Kara, não a versão genérica.

O roteiro ficou a cargo de Ana Nogueira, conhecida por The Vampire Diaries, e Gunn não poupou elogios ao trabalho dela. A direção foi entregue a Craig Gillespie, o australiano por trás de Eu, Tonya e Cruella — um cineasta com histórico de retratar mulheres complexas em contextos incomuns, o que faz sentido para a proposta do projeto.

A protagonista é Milly Alcock, revelação de House of the Dragon no papel de Rhaenyra Targaryen jovem. Alcock já apareceu brevemente em Superman (2025) e a recepção foi positiva o suficiente para antecipar o hype para o filme solo. O vilão principal, Krem das Colinas Amarelas, será vivido por Matthias Schoenaerts. Eve Ridley interpreta Ruthye — a narradora da HQ e parceira relutante de Kara na jornada.

A grande surpresa do elenco é Jason Momoa como Lobo. O ator, que interpretou Aquaman no universo anterior da DC, recebe uma segunda chance no novo DCU como o caçador de recompensas mais sujo e histriônico dos quadrinhos. A presença de Lobo sinaliza que o filme vai abusar do tom space opera, com personagens coloridos e situações absurdas convivendo com drama emocional pesado — uma mistura que King dominava na HQ.

David Corenswet também aparece como Clark Kent/Superman, confirmando que o filme se passa após os eventos de Superman e antes do próximo longa, Man of Tomorrow (2027).


O que preocupa: fidelidade vs. liberdade criativa

Nem tudo é celebração no fandom. Um ponto de tensão surgiu quando o trailer e declarações de Gunn sugeriram que a adaptação seria "inspirada" na HQ, não uma transposição fiel. Gunn disse em entrevista à Variety que o filme captura "o núcleo" da história, mas com liberdades criativas significativas.

Para muitos leitores da minissérie, isso é uma decepção justificável. Parte do poder da HQ reside justamente na identidade visual única de Bilquis Evely — planetas com arquitetura alienígena impossível, paletas de cor que não existem em nenhum outro trabalho da DC. Comparações visuais com Guardiões da Galáxia surgiram assim que o teaser foi lançado, o que não é necessariamente ruim, mas distancia o filme da obra que o inspirou.

O otimismo vem do precedente aberto pelo próprio Superman de Gunn: o filme se inspirou em All-Star Superman sem replicar a narrativa — e ainda assim foi bem recebido. A questão é se Supergirl vai conseguir preservar o que torna a HQ especial (o trauma, a perspectiva de Ruthye, a brutalidade emocional) sem simplesmente produzir mais um blockbuster de super-heróis no espaço.


Por que este é o filme mais importante do novo DCU até agora

Superman foi o teste de lançamento — e passou. Supergirl é o teste de continuidade. É aqui que o público vai descobrir se Gunn construiu um universo ou apenas um bom filme isolado.

Diferente do Homem de Aço, Kara não tem décadas de filmes e séries consolidando sua imagem no imaginário popular. A Supergirl mais conhecida pelo grande público ainda é a série da CW ou o filme de 1984. Isso dá ao DCU uma liberdade rara — e uma responsabilidade enorme. Não há um modelo de "como Supergirl deve parecer no cinema" a seguir ou subverter. É uma página em branco.

Se o filme funcionar como uma ficção científica adulta sobre luto, identidade e vingança — com uma protagonista feminina complexa no centro — pode ser um dos melhores filmes de super-herói dos últimos anos. Se for apenas bonito e vazio, o novo DCU vai ter um problema.

Junho de 2026 vai responder a essa pergunta.



Ficha técnica resumida



Título

Supergirl

Estreia

26 de junho de 2026

Diretor

Craig Gillespie

Roteiro

Ana Nogueira

Produção

James Gunn, Peter Safran

Elenco

Milly Alcock, Jason Momoa, Matthias Schoenaerts, Eve Ridley, David Corenswet

Baseado em

HQ Supergirl: Woman of Tomorrow (Tom King / Bilquis Evely, 2021–22)

Universo

DCU — Capítulo 1: Deuses e Monstros


Ainda não leu a HQ? Vale muito a pena antes do estreia — especialmente para ter uma opinião formada sobre o que o filme vai preservar e o que vai deixar para trás.


Elden Forge

Criando mundos, uma ideia por vez.


 
 
 

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28 de abr.
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Eu não me empolguei para ver o filme ainda. Pretendo ver, mas não estou tão animado ainda!

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